domingo, 11 de abril de 2010

Lionel Andrés Messi


Vinte e quatro de junho de 1987. Nesta data, a cidade de Rosário, Argentina, ganha mais um habitante, Lionel Andrés Messi, filho de Jorge Horacio Messi, operário, e Celia Maria Cuccittini, faxineira. 06 de abril de 2010. Neste dia, o hall da fama do futebol ganha mais um imortal. Lionel Andrés Messi. Como explicar o surgimento de uma lenda viva do esporte com apenas 22 anos?

Aos cinco anos de idade, Messi dá seus primeiros passos no futebol pelo Grandoli, clube local de Rosário, cujo treinador era seu pai. Em 1995, Messi vai para o Newell's Old Boys, e, aos 11 anos, é diagnosticado com uma deficiência nos hormônios do crescimento. O River Plate, gigante de Buenos Aires, demonstra interesse no tratamento do garoto, mas, sem dinheiro para pagar o tratamento, - 900 dólares por mês -, desiste de acompanhar o progresso. Hoje em dia, os dirigentes do clube devem se arrepender amargamente da fadada decisão.

Oportunista, os espanhóis do Barcelona oferecem um contrato para os pais de Messi, oferecendo pagar as contas do tratamento se todos se mudassem para a Espanha. Depois de temporadas nas equipes de base, o argentino realiza sua estreia no time principal. E que estreia. Messi entra no segundo tempo, e, demonstrando oportunismo, faz um gol mágico, encobrindo o goleiro após passe magistral de Ronaldinho Gaúcho.

E o cardápio de Messi só aumentou. Gols, assistências, partidas inspiradas, títulos, prêmios, incluindo o de melhor jogador do mundo pela Fifa. E isso com apenas 22 anos. O dia 6 de abril citado no início deste texto foi a entrada definitiva da "Pulga" na seleta lista de lendas do futebol. Em 45 minutos que poderiam durar toda uma vida, o argentino apresentou o seu baile de gala contra o Arsenal, e, com quatro gols, deu vida com os torcedores do Camp Nou, sortudos espectadores.

Deus na Espanha, Diabo na Argentina. Sua habilidade com a bola nos pés não é contestada, nem seus muitos gols pelo Barcelona. O título de melhor jogador do mundo? Incontestável. Mas, mesmo com todo o reconhecimento da imprensa internacional, e sendo constantemente apontado como o "novo Maradona", em seu país, Messi não é unanimidade. O argentino se comporta como um Golias nos campos espanhóis, mas, com a camisa da seleção platina, vira um discreto Davi. Apesar disto, Messi ainda ameaça. E muito. A África poderá ser o palco perfeito para o despertar do pequeno gigante craque.

All you need is love: 'Beatles num céu de diamantes' e a busca pelo amor


O alarme toca, as luzes se apagam. "Picture yourself in a boat on a river, with tangerine trees, and marmalade skies...". Bem vindo à viagem de ‘Beatles num céu de diamantes’. Após curta temporada em Lyon, França, e vindo de um 2008 inesquecível, onde arrebatou milhares de espectadores em diversas cidades brasileiras, o musical de Charles Möeller e Claudio Botelho volta ao Rio de Janeiro, mais precisamente em um abafado e barulhento Espaço Rio Sul, Botafogo. Com cenário simplificado "Beatles..." reestreia com novas caras no elenco, como Pedro Sol, que já esteve presente em "O Despertar da Primavera", outro musical da dupla.

"Beatles num céu de diamantes" nos apresenta Lucy e seus companheiros (batizados com nomes de músicas do quarteto de Liverpool, como Rita, Julia e Michelle), em uma jornada de sete fases - o sonho, a fuga, a descoberta, os encontros, o amadurecimento, um sonho dentro do sonho, a volta, finale - que busca respostas para a vida, a solidão, e principalmente o sentimento mais pregado pelos Bealtes: o amor e suas diferentes faces, temática que aparece na maioria das letras dos Fab Four, como "If I Fell", "Girl", "In My Life", e "Yesterday".

Repaginar músicas dos Beatles não é tarefa das mais fáceis. Há quem ache que os garotos de Liverpool já são datados, velhacaria ou algo do tipo. Também há aqueles que acreditam que as composições de George, Paul, John e Ringo são perfeitas do jeito que são, e, portanto, alterá-las seria cometer um pequeno sacrilégio. Apesar disto, versões no cinema (como Across the Universe) e no circo (Love, do Cirque de Soleil) foram aclamadas por público e crítica. E com "Beatles..." não é diferente.

Simplicidade e arranjos originais garantem belas interpretações

Deixando de lado toda a produção espalhafatosa e visualmente atordoante de ‘Love’ e as versões sem sal de "Across the Universe", "Beatles num céu de diamantes" presta uma homenagem crua e simples às músicas e arranjos despretensiosos dos Fab Four, com nove atores/cantores e três músicos (Pedro Milman no piano, Lui Coimbra no violoncelo e Jonas Hammar, que, além de participar da peça, é responsável pela percussão) espalhados por um pequeno palco, com poucos adereços e iluminação minimalista. Tudo bem simples.

E a simplicidade é o grande trunfo de "Beatles...". Em uma peça que não possui falas, sem o foco no cenário e com os instrumentos fazendo bases discretas, os atores/cantores têm a liberdade de explorar suas capacidades vocais, rendendo arranjos inovadores, no ritmo de bossa nova, polka, tango e até chachachá, além de interpretações empolgantes, principalmente pelas mulheres, como Mayra Bravo em "While my Guitar Gently Weeps" (do White Album), Sabrina Korgut em "Something" (do Abbey Road) e Ivana Domenico, que nos presenteia com um incrível feeling "jazzístico" em "Here, There, and Everywhere" (do Revolver).

O final de "Beatles num céu de diamantes" resume bem o espírito da peça. Tal como o histórico clipe de 25 de junho de 1967, atores, músicos e plateia cantando juntos, entoando em uma única voz o maior hino do século XX ao amor, citado no título desta matéria. E talvez Paul McCartney, George Harrison, John Lennon e Ringo Starr estejam certos. Tudo o que nós precisamos é de amor.

A fênix alvinegra




Vinte e quatro de janeiro de 2010. Após a histórica goleada de 6 a 0 contra o Vasco, o Botafogo parece despedaçado. Chamado às pressas, Joel Santana, figura tarimbada do futebol do Rio de Janeiro, é contratado.

Vinte e um de fevereiro de 2010, 17h, final da Taça Guanabara no Maracanã, Vasco e Botafogo se reencontram. Aos 25 minutos do segundo tempo da decisão, Fábio Ferreira sobe mais alto que os zagueiros vascaínos e estufa as redes de Fernando Prass, para explodir a torcida botafoguense. Uma das novas caras do Alvinegro na temporada, Loco Abreu sofre pênalti aos 37 minutos e faz o segundo, para fazer brilhar mais do que nunca a Estrela Solitária; Botafogo campeão da Taça Guanabara.

Chances para os dois lados em primeiro tempo de passes errados

O jogo começou disputado, com o Botafogo marcando em cima a equipe do Vasco. Abreu quase fez o primeiro, após passe na medida de Lucio Flavio, mas o uruguaio não conseguiu o domínio. Com maior posse de bola, a resposta do Vasco veio com Carlos Alberto que, mesmo distante do gol, cabeceou com perigo o cruzamento vindo da esquerda. Aos 11 minutos, Alessandro chutou próximo à área do Vasco, mas Herrera, como um legítimo zagueiro, apareceu no meio do caminho e acabou cortando.

Dodô, que andava sumido, teve sua primeira grande chance aos 26 minutos após assistência de Philippe Coutinho, mas, na cara de Jefferson, furou de maneira bizonha. Mais na base da vontade do que da técnica, o Botafogo quase marcou com Loco Abreu, mas Fernando, com um violento carrinho dentro da área, impediu que o camisa 13 abrisse o placar no Maracanã. Philippe Coutinho respondeu para o Cruzmaltino em jogada individual pela esquerda, mas seu chute saiu mascado, saindo com perigo pela linha de fundo.

Botafogo abre o placar com Fábio Ferreira e Abreu enterra o Vasco

O Botafogo voltou para a etapa complementar com gás total, mas Fernando Prass, bem colocado, espalmou a finalização de Herrera, cara a cara com o goleiro vascaíno. Aos 10 minutos, Carlos Alberto recebeu e chutou perigosamente, tirando tinta do gol de Jefferson. O camisa 1 do Glorioso apareceu bem quatro minutos depois, defendendo com estilo chute colocado do capitão vascaíno.

Repetindo a alteração da semifinal contra o Flamengo, aos 17 minutos, Joel Santana tirou Lucio Flavio e lançou o talismã Caio. Em jogo de baixo nível técnico, as duas equipes esbarravam nos erros de passes e na falta de pontaria.

Aos 25 minutos, Marcelo Cordeiro cruzou e Fábio Ferreira foi no quarto andar para abrir o placar para o Botafogo e levar a torcida ao delírio. O Vasco pareceu sentir o gol, e, logo depois, Nilton cometeu entrada dura em Caio, e acabou sendo expulso.

O Vasco teve mais um expulso aos 37 minutos. Titi cometeu pênalti em Loco Abreu e recebeu o segundo amarelo. Na cobrança, o uruguaio bateu no cantinho, sem chances de defesa, para dar ao Botafogo o seu sexto título da Taça Guanabara.

Magnano: 'Nenhum nome de jogador está acima da seleção brasileira'

Em um terraço de um hotel na Zona Sul do Rio, o sol de 40º não dá descanso para jornalistas e assessores. O centro das atenções é um senhor bigodudo, 56 anos, de fisionomia fechada, que reclama do calor. "Bem vindo ao Brasil", diz alguém maldosamente.

O homem por trás do bigode é sério, simples e forte. O homem por trás do bigode é Rubén Magnano, novo técnico da seleção Brasileira de Basquete.

Campeão olímpico em Atenas/2004, o argentino foi contratado pela Confederação Brasileira de Basquete com a missão de levar a seleção às Olimpíadas de 2012, em Londres. Mas a próxima parada é na Turquia, onde a seleção disputará o Campeonato Mundial entre o final de agosto e começo de setembro.

Com frases sérias e curtas, Rubén logo avisa: "Nenhum nome próprio de jogador está acima do nome da seleção brasileira de basquete. Esta é a minha concepção". Seria um recado para os astros da NBA Varejão, Leandrinho e Nenê?

"Claro que compreendo a importância da qualidade e da presença destes jogadores na seleção, mas o que mais importa para mim é a vontade deles. Se, por exemplo, Nenê quiser voltar para a seleção, quero ouvir o 'sim' dele", declara Magnano.

O treinador sabe da importância de sua missão, e espera ouvir a opinião de grandes nomes do basquete brasileiro, como o ex-jogador Oscar e o técnico Hélio Rubens.

"Entendo perfeitamente o que Oscar significa para o Brasil. Em qualquer momento, ficarei muito satisfeito em ouvir e conversar sobre sua visão e experiência. Também admiro muito Hélio Rubens, que foi meu oponente por diversas vezes. Sua opinião será de grandíssima ajuda", comentou.

Sobre a expectativa para o Campeonato Mundial da Turquia, Rubén citou a boa campanha do Brasil na última Copa América, mas admite que algumas coisas terão que mudar.

"Acredito que a seleção brasileira está em constante evolução, e a campanha na última Copa América mostra isso. Mas temos que entender que o Campeonato Mundial tem outra característica. São seleções fortíssimas. Minha equipe será lutadora, com muito apetite e garra. O processo vai ser longo, porém acredito na qualidade dos jogadores. Não pude ver muito atletas que jogam aqui dentro, só alguns jovens, mas farei isso logo", garantiu.

Pep

Ao ouvir o apito do juiz que sentencia o final do jogo, Josep "Pep" Guardiola não consegue esconder a felicidade estampada em seu rosto. Aos 38 anos de idade, o ex-jogador e atual técnico do Barcelona acaba de conquistar o título do Mundial de Clubes da Fifa, com seu time batendo o Estudiantes da Argentina por 2 a 1. Com o título inédito, Guardiola se torna o super-técnico. Ganhou absolutamente tudo que poderia ganhar com o Barcelona, seu super-time.

No meio do campo, Pep começa a perceber o seu feito. Visivelmente emocionado, recebe o carinho de Henry e Ibrahimovic, algumas estrelas da constelação azul-grená. Em que Guardiola está pensando?

Membro do dreamteam do Barcelona comandado por Cruyff, o capitão Guardiola levou seu time para a conquista da primeira Copa Européia. Após sua aposentadoria, foi convidado para ser treinador o Barcelona B. Na temporada em que treinou a equipe reserva, onde conseguiu a classificação do time para a Segunda Divisão espanhola, Guardiola presenciou o crescente desgaste de Frank Rijkaard no comando da equipe principal.

Após a demissão do holandês, o presidente do clube, Juan Laporta, anunciou que a solução era caseira. Contratado em junho de 2008, Guardiola começou uma (surpreendente,mas necessária) "limpa" em seu elenco. Dentre as medidas principais, a venda de jogadores chaves da equipe na temporada passada, como Deco e Ronaldinho Gaúcho, e a promoção de jogadores do Barcelona B, como Sergio Busquets e Pedro.

O plano mostrou-se infalível.

Em aproximadamente um ano e meio, o Barcelona ganhou tudo. Seis conquistas em seis títulos disputados pelo clube na temporada. O Barça conquistou a Liga dos Campeões, o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei, além das Supercopas da Europa e da Espanha. Além disso, o clube ainda teve três jogadores entre os cinco melhores do mundo - Iniesta, Xavi e Messi - com o último sendo favorito para levar o prêmio de melhor do ano segundo a FIFA.

O gol de peito marcado por Messi no segundo tempo da prorrogação da final deste sábado coloca Pep no topo do mundo, e triunfa o trabalho do treinador à frente de uma das equipes mais vitoriosas da história do futebol.


Com a taça em suas mãos, Pep finalmente percebe. É o maior do mundo.